Feeds:
Posts
Comentários

***Avulso***

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Você está solteiro, viúvo, separado? Você é, nos dizeres anglo-fônicos, um single? Se você está avulso, como fala a nova gíria luso-fônica, pense nos benefícios desta situação, em vez de ficar se debatendo contra a circunstância, que talvez demore um pouco para se dissolver.

Os relacionamentos afetivos são grandes aceleradores evolutivos, para questões emocionais e psicológicas. Todavia, em matéria de crescimento intelectual e espiritual, não há nada melhor que viver longos períodos de isolamento, (sem solidão entretanto).

Este primeiro conceito é importante ser desenvolvido e esclarecido. Estar só não implica estar-se solitário. Quem mora sozinho, por exemplo, pode estar com amigos ou familiares, sempre que desejar, à distância, tão-somente, de um telefonema, para isto, para marcar um encontro imediato ou mesmo enternecer-se pelo próprio fio. Por outro lado, legiões de pessoas acompanhadas se sentem horrivelmente solitárias por dentro, mormente nos grandes conglomerados urbanos, ao não se sentirem verdadeiramente vistas e acolhidas pelo que são, pelo que sentem.

Quem está sozinho, tem mais tempo para ir ao cinema, ao teatro, para ler, meditar, desenvolver e manter amizades, estar com os familiares de quem realmente se quer bem, dedicar-se a hobbies, devotar-se a serviços voluntários, empenhar-se em atividades espirituais, como a freqüência a cultos e reuniões de caráter religioso.

Aproveite agora o tempo que tem livre só para você, porque dia virá – talvez mais rapidamente do que você pensa – em que lamentará, profundamente, pela falta de tempo até para 15 minutos de reflexão matinal.

A ausência de introspecção, com a conseqüente pobreza de vida interior, é um dos piores dramas da modernidade. Não desperdice o lapso de tempo maior que tem para investir em você mesmo. Aplique cada instante disponível a descobrir-se mais a fundo, fazer terapia, buscar aconselhamento profissional, visitar uma biblioteca, fazer aquela viagem. Enxugue essa lágrima patética: enquanto você chora por estar só, uma multidão chora por não conseguir ficar só. Assim, se você tem sossego para a paz e se angustia, não espere obtê-la, quando o sossego lhe for roubado, pelos afetos da intimidade.

Curta seus momentos consigo mesmo, pare para ficar apenas consigo. E, ainda que você seja acompanhado, na intimidade, por outras pessoas, reserve tempo para si, apenas para si. Passe um fim de semana sozinho, em um hotel de cidade vizinha ou em casa de praia de um amigo, tire férias do cônjuge (risos), de crianças, de empregados e superiores hierárquicos, pelo menos três ou quatro vezes ao ano, em rápidos períodos de dois ou três dias (*). Ao amanhecer, ao menos por quinze minutos, fique só para orar, meditar ou planejar seu dia. E não me diga que isso é impossível, por ter muitas obrigações, porque eu lhe direi que, por isso mesmo, não pode você dispensar esse ritual, ou não terá rendimento na desincumbência das mesmas.

Por fim, recorde-se de Jesus, que, embora estivesse sempre cercado de uma multidão de fãs idólatras e de sofredores confiantes em Seu poder, no momento supremo do testemunho pessoal, esteve só, carregando a cruz aos ombros feridos e morrendo igualmente sozinho, para ficar por um dia e meio encerrado num túmulo, para, contudo, eis o ponto fundamental a considerar: subir aos céus, também sozinho, na glória intransferível, pessoal, de ganhar-se para Deus e ter-se para sempre.

(Texto recebido em 18 de outubro de 2004.)


(*) O humor de Eugênia ao falar de “tirar férias do cônjuge” é uma forma leve de falar de algo sério e, amiúde, dramaticamente necessário, inclusive para poder-se tomar uma perspectiva mais lúcida, em plena crise matrimonial e familiar, e, assim, consolidar os laços de afeto, a partir de um novo prisma constituído para a avaliação dos sentimentos. Por fim, com relação a férias de curta duração, espalhadas pelo ano, em vez de uma única mais longa, é sugestão dos consultores de carreira e psicólogos na atualidade, com quem Eugênia demonstra anuir, endossando, assim, tal tese: a de que esse regímen de férias é mais eficaz e compensatório que o clássico.

(Nota do Médium


***Diálogo Sobre Amizade***

 

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Vamos falar sobre amizade e felicidade.

Eugênia, o que a amizade pode fazer pela felicidade dos indivíduos?

Tudo, praticamente. O arquétipo do fraterno, vivido em sua excelência, é a base para a plenitude da condição humana. Se prestarmos atenção, Jesus disse isso: que o amigo verdadeiro dá a vida por seus amigos, ou seja, colocando-se na posição de O Amigo (*). Por outro lado, ao propormos “fraternidade”, é exatamente isso que, em tese, está sendo propugnado: uma relação de igual para igual, de troca, de interdependência e não de dependência ou co-dependência, como só acontecer em outras ordens de relação. Toda relação que implica subordinação necessariamente é incompleta, quando não doentia. Até mesmo a relação de mãe-filho peca por esse, digamos, tecnicamente, “distúrbio”: a mãe sempre dá mais do que recebe. É ótimo, para a mãe, que se “angeliza”; é péssimo, para o filho, que perde o senso das proporções e permanece endividado ante as Leis da Vida, só tornando ao equilíbrio quando, por sua vez, também se torna pai, seja pelas vias biológicas ou não, literal ou simbolicamente.

A relação de amigo a amigo exige, por outro lado, a constelação fundamental de virtudes que mais engrandecem o ser humano, tais como: lealdade, generosidade, zelo, devotamento, dedicação, espírito de renúncia, carinho, ternura. E, por ser uma relação de espírito a espírito, de coordenação, sem os liames da vinculação obrigatória, seja pelo desejo ou pelas paixões egóicas, estabelece ou oportuniza o tipo mais harmônico de relação interpessoal que se pode ter. Sem cobranças, sem pagamentos, sem idéia de posse, de poder, ou seja: não se está pretendendo usar, nem manipular, nem possuir o outro, mas, tão-somente, partilhar. É por isso que, paradoxalmente, as pessoas tão dificilmente, na Terra, desenvolvem e preservam boas amizades: porque, simplesmente, não sabem fazê-lo, são imaturas demais para consegui-lo, presas que estão às teias das paixões medonhas do sexo ou da parentela consangüínea, em outras palavras: atreladas às ligações afetivas ditadas pelos instintos.

Sei que aludo à relação entre amigos que seja ideal, mas a relação entre pai e filho ou entre guru e pupilo, ainda que ideal, nunca será completa, porque o filho ou o pupilo estará sempre em desvantagem emocional e evolutiva (embora, ironicamente, a imaturidade e a mesquinhez humana na Terra faça ver o contrário), num estado, digamos assim, de sub-desenvolvimento psicológico, que só pode ser contra-balançado em outros relacionamentos, com outras pessoas. A não ser que imaginemos que pai e filho se vejam como pai e filho um do outro, o que, todavia, será ainda imperfeito, quando não patológico, já que a inversão de papéis pode indicar severas formas de manipulação inconsciente, como a de pais imaturos que transferem, sutilmente, a função de adultos, para filhos pequenos, a fim de descasarem da tensão criativa e necessária, dever moral seu, de serem responsáveis pela relação, o que está em sua incumbência e não de crianças e adolescentes, sem preparo emocional para essa ordem de compromisso, altamente complexo.

Muito interessante, Eugênia. Algo mais a dizer?

Sim, que a amizade é uma célula fundamental de relação humana, que pode ser ativada em toda ordem de ligação que estabeleçamos uns com os outros. Respeitados certos limites, até mesmo entre pais e filhos pode haver um certo nível de camaradagem, partilha e compromisso de lealdade, ainda que preservados os limites da autoridade paterna e materna, principalmente quando os filhos são menores de idade. Por outro lado, como vamos entender uma boa relação entre cônjuges, senão quando assentada nas bases do companheirismo, da confiança mutuamente estabelecida e da lealdade um ao outro? Ou como vamos compreender uma relação guru-discípulo ou terapeuta-consulente, sem que haja, n’algum nível, uma relação de compromisso de alma a alma, sem a idéia de maior-menor, sempre mórbida em seus fundamentos? Que o professor mantenha um certo distanciamento do aluno, assim como o pai do filho e o terapeuta do cliente, como um parâmetro mínimo de autoridade moral, na exata e mínima medida para o exercício de suas funções, é óbvio ser necessário, mas que isso não implique na perda da humanidade, do sentido de identidade basilar que une todos à mesma condição de pertencentes à espécie humana, navegando num mesmo barco evolutivo, rumo a Deus e à plenitude. Esquecer-se, ainda que mui sutilmente, como costuma acontecer, desse valor axial, leva o indivíduo a exagerar a própria importância na relação e a comprometer, amiúde de modo perigoso, o serviço que presta à parte considerada “inferior” da relação.

(Diálogo travado em 19 de outubro de 2004.)

(*) “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (João, 14:13)

(Nota do Médium)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Chamado a arbitrar em questões melindrosas, mantenha a sintonia da serenidade e procure auscultar, acima de tudo, a voz do bom senso, da razão e da paz.

Mantenha distância emocional de ambos os lados, e procure preservar, acima de tudo, o espírito de fraternidade universal, assim pugnando para que parte a parte sejam beneficiadas, em função do bem comum e da paz geral.

Não se deixe seduzir pelas paixões dos interlocutores – muita raiva e muita certeza da verdade podem indicar, tão-somente, o desequilíbrio passional de quem está preocupado em estar com a razão a todo custo e levar vantagem de todo jeito. Lembre-se de que nunca terá conhecimento completo de cada lado e que, de qualquer forma, lutar pela concórdia é sempre o melhor negócio.

Portanto, seja qual for a circunstância a que seja conduzido, mantenha-se como fio de prumo da sabedoria e da ponderação, recordando-se de que seus amigos espirituais o estarão inspirando, focado, por fim, em orar a Deus, com confiança e persistência, entregando a Ele-Ela o resultado e o encaminhamento de todo o processo de negociação e moderação, na certeza de que, se os ânimos estão exaltados e a razão parece fenecer, a Infinita Sabedoria será sempre o norte da verdade, tudo reconduzido ao ponto de equilíbrio indispensável ao desdobramento do melhor.

(Texto recebido em 22 de outubro de 2004.)


 

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Roberto.

Minha querida:

Você botou p’r’arrebentar comigo.
Façamos, porém, um rápido inventário de tudo que aconteceu em nossa rápida história:

Dei meu amor, declarei-me. Dispus-me a colocar minha vida em função de você. Esqueci-me de mim. Ofereci tudo que de mim poderia partir, desde carinho, meu conhecimento e influências pessoais, até dinheiro e meus bens. Você retribuiu e estimulou meu afeto, na medida em que exatamente deixasse-me totalmente apaixonado e… de repente, sumiu! Não atendeu mais às minhas ligações, mandou-me recados desaforados por terceiros, fez-se de superior e distante, quando era você quem estava recebendo muito de mim. Achou-se muito para mim, e desprezou-me, sem nem me dar chances de falar com você.

Fiquei louco, triste por perder a vivência provisória do afeto romântico, procurando descobrir onde poderia ter errado, na busca sincera de me responsabilizar pela experiência. Não enxergando onde poderia ter errado, preparei-me até, psicologicamente, para perdoá-la; depois fiquei magoado, depois enraivecido, depois desesperado. Mas, aí, então, em meio às minhas preces e meus pedidos de socorro, um e outro amigo vieram em minha direção, dando-me apoio e conforto. Vi outros amores, numerosos, que tenho em minha vida, e, em meio ao oceano de amor que me circundou, lembrei-me de você. E, sinceramente, apiedei-me de sua tão mesquinha pessoa. Lembrei-me de sua histeria, de seu desequilíbrio emocional, mental (e talvez até moral), de sua arrogância e de como você é detestada por todos, de como está só, de como as pessoas correm de você. Lembrei-me de que você costuma envaidecer-se por tudo e de humilhar as pessoas e colocá-las para baixo, tiranicamente, e, feliz da vida, pude gritar, no imo do meu coração:

Muito obrigado, minha querida, por ter me libertado de você!!! Como você foi generosa e boa comigo, ao não ficar em minha vida, para criar uma devastação que mais cedo ou mais tarde faria maior do que a que já estava começando a acontecer. Obrigado por não ficar ao meu lado, vampirizando-me e me enlouquecendo. Obrigado por ser tão ruim com você mesma, a ponto de se afastar de mim, que tanto a amava e tanto me dispunha a me dar a você, para ficar apenas com o carma de maltratar um afeto verdadeiro, enquanto, eu, totalmente livre, parto para buscar amores muito melhores, verdadeiros, que já me circundam por toda parte, bastando você ter sumido. Obrigado por ter escolhido ficar longe de mim, deixando-me em paz. Obrigado por ter ficado na pior, com pessoas hipócritas que a aconselharam a se distanciar de mim, e me deixando tão bem sem você! Obrigado por que ouviu palavras mentirosas contra mim, e, com isso, afastou-se de mim, já que tinha sintonia com meus inimigos. E, principalmente, se falou mal de mim, após ter recebido tanto bem do meu coração, francamente, minha cara, coitada de você, quando a Vida lhe for cobrar a conta deste débito moral, enquanto eu sigo com créditos espirituais em acréscimo, mártir do amor em que fui convertido não por meu mérito, mas por sua tão prestimosa iniciativa, graças a Deus, porque assim merecerei alguém bem melhor que você!

Por tudo isso, assim, sinto-me credor de sua loucura suicida, por nem ter conseguido ser egoísta e não ter percebido como ia ganhar permanecendo ao meu lado, tão idiotamente apaixonado por alguém que nunca me retribuiria no mesmo nível o meu afeto.

Talvez você quisesse supor que essas palavras fossem um jogo de mágoa ou vingança, para manipulá-la e fazê-la voltar ou se sentir péssima. Mas o fato é que estou ótimo e a prova é que sei que essas palavras nem sequer chegarão a seus olhos, e fico muito feliz e em paz por desabafar minha experiência e mostrar a outros que lerão essas linhas como é bom quando a gente transforma o complexo de abandono e rejeição, em grande êmulo à auto-estima, à auto-confiança e à fé.

E, assim, tão-somente, do fundo de meu coração, digo-lhe, minha cara louca-estúpida do passado: que as forças do universo tenham pena de você, e não lhe cobrem tão alto pelo mal que tentou me fazer, com sua crueldade e ignorância, porque, sinceramente, estou muito feliz pelo bem enorme que você me fez: livrar-me de você, e fazer ver como sou feliz longe de sua pessoa! (*)

(Texto recebido em 13 de outubro de 2004.)

(*) Esclarecimento Oportuno:

Que se diria, em linguagem mais suave e nobre, para alguém muito magoado e deprimido com a rejeição sofrida com muita injustiça, que tivesse efeito tão bombástico e persuasivo para a linguagem emocional do ser humano médio, no sentido de levantar a auto-estima e o próprio senso de valor, como consegue Roberto, neste artigo? Para alguns dos leitores, podem soar óbvios alguns dos raciocínios e conclusões que o amigo desencarnado expendeu, mas não para quem padece de co-dependência emocional, um vício psicológico que faz o indivíduo sentir a culpa e as necessidades do outro como se fossem próprias.

Muita gente bem intencionada, sendo desprezada ou maltratada por tipos problemáticos, supõe que deve apenas orar e perdoar, como se o processo de aceitação da raiva, da frustração e da decepção não fizesse parte do primeiro momento da elaboração do genuíno perdão; e, assim, reprimindo a necessidade de vivenciar as fases de luto psicológico pela perda e de percepção da realidade, negam os fatos, fogem à lógica do bom senso e dos mínimos princípios de auto-respeito e auto-proteção, e imaginam que, com isso, estão sendo humildes, espirituais e cristãs, quando, incoerentes e semi-loucas, estão apenas doentes e agindo de modo pretensioso, para explodirem, mais tarde, na somatização de num câncer ou num quadro mais leve de artrite reumatóide, depressão clínica ou, simplesmente, infelicidade crônica.

Pela sua forma de falar e escrever escandalosamente honesta, direta e sem muitos “enfeites”, passa-me à mente a idéia de que o espírito Roberto é a versão invertida do espírito pseudo-sábio do além: as almas de palavreado empolado e más intenções que se acercam de médiuns invigilantes, prodigalizando-lhes elogios e mimos, com o fito de amolecer-lhes o caráter e desviarem-nos dos objetivos espirituais que lhes estão traçados para a presente encarnação. De maneira diametralmente oposta, Roberto tem um estilo e linguajar quase-chulos e implacáveis, mas fazendo-se extremamente eficiente para quem tiver “estômago” para ouvi-lo, o que os menos auto-conscientes dificilmente conseguem ter.

Muito comumente, vemos embusteiros da outra dimensão de vida passarem-se por mentores venerandos, enganando médiuns e instituições sérias (mas insensatas), apenas porque respigaram um vernáculo ligeiramente mais polido ou um conjunto de idéias um pouquinho mais inteligente, normalmente simulacros patéticos e grotescos da legítima sabedoria. E, todavia, quantos pais e mães, professores e mentores do outro Lado da Vida, profundamente preocupados com seus pupilos, mas não tão evoluídos para agirem como anjos, aproximam-se de seus tutelados com abordagem direta e enérgica?

Como diria Jesus, “veja quem tem olhos de ver, e ouça, quem tiver ouvidos de ouvir”. Ou, como Ele se referia aos falsos amantes da virtude, principalmente religiosos tradicionalistas, sempre preocupados excessivamente com as aparências, mas esquecidos da essência: “Sepulcros caiados: brancos por fora e cheios de podridão e rapina por dentro.”

(Nota do Médium)


 

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Relacionamentos genuínos implicam crises episódicas de ajuste e conhecimento recíproco em maior nível de profundidade, porque não só a própria mente é um mistério a si, como a psique do outro ainda mais, sem contar os processos inevitáveis de falha de comunicação, mudança íntima e experiências singulares por cada um vivenciadas que não necessariamente são partilhadas pelo outro, gerando motivos válidos de “descoincidência” de pontos de vista ou de valores que precisam ser aclarados, sob a luz do diálogo fraterno, mas franco, caso se pretenda manter o relacionamento num nível se sincera cumplicidade num nível íntimo. Relacionamentos sem brigas ou discussões, é relacionamento inconsistente, superficial ou mentiroso (ou uma conjunção de tudo isso), em que um ou dois se anulam, em função de uma calma relacional doentia, que prenuncia a paralisação da alma e o assassínio da sinceridade.

Diante disso, não suponha que discordância seja sinal de distonia entre você e seu ente querido. Melhor que as divergências façam-se visíveis, no nível de consciência, que reprimidas, no campo da sombra psicológica, a assombrarem a harmonia da relação.

Não se preocupe em ser sempre “bonzinho”. Este princípio é particularmente válido se estiver num relacionamento íntimo. Diga o que pensa ser importante ou essencial, com jeito, com amor, mas invariavelmente com sinceridade, a fim de que não deixe pendências graves ficarem ocultas na senda de seu destino, como uma bomba relógio que, se não desativada em tempo, pode fazer em pedaços o que foi longamente construído no transcurso, às vezes, de toda uma vida.

Hoje, pode você ter discutido com o amigo ou o cônjuge, o irmão ou o filho, o pai ou aquele camarada para toda obra. Mas, se o fez para refletir, claramente, para o interlocutor estimado, a verdade de seu coração, para que ele, de sua parte, possa refletir a dele para você, fez algo imprescindível e vital para seu vínculo afetivo, embora doloroso, desconfortável ou apenas incômodo.

Por fim, atente-se para, na mesma medida em que reclama, saiba emular. Na mesma proporção, no mínimo, que lança palavras duras, oferte palavras de afeto, acolhimento e estímulo fraterno. Se você se converter em crítico contumaz, desista de ser ouvido, porque falará sozinho, enquanto o outro cria defesas para seu discurso, quer o declare ou não. Em contrapartida, se você se mantiver como “mãezinha boa” ou “amiguinho bom”, amolentará o caráter de seu “objeto” de amor, a ponto de inviabilizar, inclusive, sua relação com ele.

(Texto recebido em 24 de outubro de 2004.)

 

***Percebendo-se em Erro***

 

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Você cometeu algum erro? Consideremos, então:

1. Muitas vezes, o remorso constitui uma forma de a mente garantir que nunca mais enveredará pelos mesmos caminhos. Tenha cuidado com esse mecanismo, porém, que pode se descontrolar, excedendo-se nos meios de precaução: a emenda pode ficar pior que o soneto, e perigosas paralisias da alma congelarem seu bom ânimo, para o trabalho no campo do bem que é quem, de fato, pode redimi-lo.

2. Lembrar-se de haver incorrido em falhas é próprio da condição humana, encarnado ou desencarnado, em relação a essa ou a antigas vidas. Quem não se percebe em falta, não está evoluindo ou está dementado. Somente alguns tipos de psicopatia ou criminalidade impedem o ser humano de se flagrar em erro.

3. Se a Divina Providência permitiu que incorresse erro, foi por considerar que tinha algo a ser aprendido na experiência, por mais dramaticamente dolorosa que viessem a ser as conseqüências.

4. A necessidade de auto-perdão que o deslize propicia desenvolve, no indivíduo, a capacidade de ser indulgente com o próximo. Nada como resvalar em deslizes que firam os próprios brios para expandir a capacidade de ser compreensivo com os desmandos alheios.

5. A dor da crise, por perceber-se limitado, favorece uma guinada ou um esforço de empreender uma transformação profunda no próprio padrão de consciência. A tranqüilidade do mar morto de quem está satisfeito com o próprio nível evolutivo é muito pior que a angústia de se notar limitado. O primeiro ilude quanto a própria situação, o segundo, promove o progresso.

6. A dor das primeiras quedas afigurava-se tão medonha para sua psique, que mecanismos de defesa foram criados, a fim de que não percebesse a dimensão de sua falha, e, ironicamente, levou-o a cometer mais do mesmo equívoco, talvez de forma mais grave, já que havia uma clara denegação do erro, por meio de elaboradas racionalizações. Desfaça esse mecanismo, para que erros menores não lhe conduza a erros maiores. Enfrente a própria consciência com imparcialidade, com honestidade para consigo mesmo, e, assim, assimilará todo o conteúdo de aprendizado que a experiência lhe tem a ofertar. Fugir desse confronto honesto consigo, porém, muito embora possa ser emocionalmente confortável num primeiro momento, traz trágicas conseqüências no futuro.

7. A dor infinita de agora converter-se-á na alegria branda de amanhã, quando todas as feridas cicatrizarem, e você puder ser feliz, livre de culpas, porque se terá compensado infinitamente também, pela prática do bem.

8. Deus é Infinito Amor, amigo. Confie em Sua Divina Providência. Nada acontece por acaso. Até os piores erros podem-se transfundir nos mais magníficos acertos. Paulo de Tarso foi o primeiro e talvez o mais perigoso tirano da história do Cristianismo, já que tentou promover uma dizimação da diminuta comunidade cristã da época. Paradoxalmente, foi ele mesmo o primeiro grande divulgador da Filosofia Cristã, sem o qual o Cristianismo realmente teria desaparecido, como uma seita judaica de tempos idos, principalmente após a diáspora judaica do ano 70. Aqueles que maior poder construtivo e criativo têm, são também portadores dos mais devastadores potenciais destrutivos. Aceite essa ambivalência torturante da condição humana e, se percebe raízes de sua alma se estenderem ao fundo dos infernos, recorde-se de que galhadas de seu espírito podem alçar-se aos céus, conquistando-lhe a bênção de Deus, pela canalização de suas paixões para a prática do bem.

9. Corrija-se, purifique-se, aceite-se, perdoe-se, ame-se. Corrigenda, sim; auto-flagelação, nunca. Assim, amigo, não se deixe abalar se seus sonhos de realização não se concretizaram, padecendo o tormento do pesadelo da frustração, da desilusão consigo mesmo. Converta sonhos em projetos, filtre as fantasias do planejamento, para que as asas de anjo que ainda não possui não sejam consideradas premissas, num trabalho que precisa estar assentado no chão da sua realidade psíquica, por mais dura seja de aceitar.

10. E, como última reflexão, considere, meu filho, que sua dívida, é com a Lei da Vida. Se falhou agora, corrija-se adiante, e siga. Quando as Forças da Vida se houverem saciado de compensação, pelo esforço que, sinceramente, houver envidado em ressarcir-se, nada lhe cobrará tributos pelos equívocos de ontem, ao menos de modo que lhe perturbe, porque sua consciência estará saciada de auto-vingança, ou, em palavras e conceito melhores: o progresso já haverá sido feito, não subsistindo, assim, a necessidade de mais sofrimentos depuradores.

(Texto recebido em 28 de setembro de 2001.)


**Eu angelita**

Rsrs eu sou uma pessoa muito teimosa..mas admito como sou….mas sou tranparente…adoro ajudar meus semelhantes……e tbm sou muita amiga…..adoro a natureza….adoro as cachoeiras…..e as grandes matas…..e adoro aventuras..rsrs….mas  tenho meus valores…adoro mudar sempre as minhas atitudes..há momentos na nossa vida que devemos refletir….e rever nossos conceitos e valores….e eu amo a VIDA…..